Democracia Musical
É sempre complicado pertencer à minoria. Isto quer dizer, com sorte, menos opção. Quem gosta de se sentir segregado ou rejeitado?
Acho sim, que as rádios atualmente tendem para o pop e eu não ouço exatamente por esse motivo. Mas vou tentar fazer, a seguir, o papel de advogada do diabo.
As rádios, assim como as emissoras de TV, são concessões dadas por parte do Congresso Nacional para a exploração da atividade e que são renováveis (ou não) após o vencimento. Portanto não é uma entidade filantrópica e por consequência visa lucros.
Partindo da premissa que o Brasil é um país capitalista, eu sou capaz de deduzir sozinha que uma rádio precisa de anunciantes.
Acho, de verdade, que o dono dessa concessão pode escolher qual público-alvo ele quer atingir e a partir daí atrair os anunciantes que também direcionam para o mesmo lugar. Fazer uma reformulação na programação seria um salto no escuro, sob o ponto de vista comercial. Isso pode acarretar uma ambição por um mesmo público por parte das concorrentes e resultar numa variedade de clones? Penso que sim e não acho bom, mas não consigo culpar as rádios. Sinceramente e talvez por falta de romantismo, não acredito que várias pessoas ligando para pedir uma música considerada “intocável” naquele estabelecimento vá sensibilizar alguém e interferir na programação. Nestes termos eu só creio que tocará se já for “pré-aprovada” internamente.
Em contrapartida, e os roqueiros? Como vão alcançar as classes menos favorecidas? Isso é um problema que vem piorando ao longo de algum tempo. Eu mesma cheguei a ouvir (e muito) uma rádio rock que existia nos anos 80/90 no Rio de Janeiro e – pasmem – acabou por falta de audiência e (efeito cascata) por falta de investidores devido ao fraco retorno que ela dava. E ela não foi a única no mesmo Estado.
Eu torço muito para alguém se interessar em pedir e conseguir uma concessão de rádio com abrangência nacional e programação exclusivamente rock e outro com programação jazz e outro com erudita e todo e qualquer estilo. Que haja cada vez mais opção. Enquanto isso não acontece, poderíamos eleger políticos competentes o suficiente para acabar com as discrepâncias sociais e levar o acesso à cultura igualmente para toda a população, uma vez que isso é um direito dos cidadãos.